MITOS E VERDADES SOBRE O SUPERAVIT ( 3 ) – ELE EXISTE ?

sábado, 23 de outubro de 2010

Tem pessoas que radicalizam sua posição;  outras querem sempre mais do que é possível;  outras são enroladas;  outras são céticas ou descrentes.  Isso não é novidade.  Está lá na Bíblia, o mais sábio dos livros.  Tomé duvidou de Jesus. 
Assim também acontece no caso do superavit. E´ necessário respeitar a crença e a opinião de cada um.  Especialmente se são produtos de estudos e de convicções sólidas, e não meros palpites.
Duas posições são as mais drásticas. Os que não acreditam na existência de superavit e os que não querem dividir com o patrocinador BB, porque juridicamente o superavit não pertence ao banco, mas a nós. Esses últimos preferem morrer sem receber nada do que permitir que alguma parcela do superavit vá para o BB. Questão de princípios.
Sobre a existência ou não do superavit desejo lembrar que no ano passado, (ou terá sido em 2008 ?) se travou intensa polêmica a respeito. Isa Musa, inclusive, estava na corrente que negava que o superavit existia.  Até que o Anchieta Dantas, que tem se devotado a publicar artigos técnicos sobre temas contábeis da PREVI, escreveu um interessante artigo sobre a matéria, declarando que, realmente, existia superavit contábil.  E matou a questão.
A partir daí a discussão só poderia ser se esse superavit contábil da PREVI estava bem calculado ou não, se ele era consistente ou não, abandonando-se de vez a questão a respeito de sua existência.  O superavit existia.
E Anchieta Dantas nos deu ainda uma outra importante contribuição este ano, quando a então diretora Cecilia Garcez em seu blog, no início de 2010, escreveu que o superavit da PREVI de 31.12.2009, desapareceria se fosse utilizado o valor dos desenquadramentos de investimentos, calculados em 22 bilhões de reais. Conforme Ceccilia, em vez de superavit poderíamos ter deficit.
Anchieta Dantas, em novo artigo, demonstrou pacientemente, com números e embasamentos sólidos, que Cecilia se olvidara de uma outra resolução que entrara em vigor em 2009, que permitia um outro cálculo, de maneira que para ele o superavit do exercício, aplicadas as deduções da resolução 26, era de cerca de 15 bilhões de reais, muito próximo do número apresentado pelo Sasseron recentemente na reunião de negociação com o BB.
Então, temos um mestre, professor de contabilidade no Nordeste, que assessora a FAABB, a atestar que os números permitem que se declare a existência de um superavit contábil e que ele é de cerca de 15 bilhões.  Como se diz hoje nas pesquisas, dois para mais ou dois para menos, fecha com o número do Sasseron. Aqui me refiro ao superavit passível de distribuição, a chamada reserva especial. Pode ser de 17, 15 ou 13, este último cálculo de Sasseron com base em agosto de 2010, que deve ter aumentado de novo em setembro para 15.
Quando afirmo que, em meu entendimento, o superavit existe me baseio em estudos como esse do Anchieta Dantas, que pesquisam e se aprofundam no exame dos documentos contábeis e atuariais disponíveis
dr na construção  vale dr e a roda          
As fotos são de minha visita a Carajás, no Pará, e o pneu que estou tocando vale cem mil dólares.  
                                 
  Podem acreditar que eu sou extremamente desconfiado como todo advogado que se preze é !  Fui parar na Vale do Rio Doce como conselheiro fiscal porque duvidei na Previ de um estudo feito para reavaliar a Vale e atribuir valor econômico. Nessa época a Previ estava com deficit. Achei que fosse um expediente contábil. Meus conhecimentos de contabilista foram suscitados. Afinal só a reavaliação era quase igual ao valor pelo qual tinha sido privatizada. A solução foi ir para dentro da empresa e visitar suas instalações em Minas Gerais e em Carajás, no Pará,  onde quase tive um acidente fatal, tendo conhecido caminhão de um milhão dólares, pneu de cem mil dólares, trens com quatro locomotivas, cada uma de dois milhões de dólares, e de trezentos a quatrocentos vagões, cheios de minérios, indo para o porto, e no Canadá, quando comprou a INCO, fui visitar as instalações de cobre e níquel.  Comprovei, in loco, não só através de papéis,  que a empresa valia mesmo o que estava sendo proposto, até quem sabe mais, e inclusive tive orgulho de ser brasileiro e constatar o sucesso da empresa no contexto internacional. O valor atribuido à Vale era real. Existia ! Bom para nós, participantes da Previ, pois a Vale é o nosso principal investimento de renda variável e uma das garantias de nosso futuro. Tudo isso está no meu livro “No olho do furacão”.
E como participei no conselho fiscal da PREVI da construção do superavit de nosso fundo de pensão, pois quando cheguei lá em 2002 havia um deficit de dez bilhões e quado saí em 2006 havia um superavit de vinte bilhões de reais, posso afirmar para vocês, com certeza, que o superavit existe, não é uma miragem, não é virtual, não é uma fantasia, mas é contábil, consistente e real, ao menos no período em que lá estive… Ouvi do próprio Leonel Brizola que se uma coisa tem boca de jacaré, corpo de jacaré, rabo de jacaré e jeito de jacaré, SÓ PODE SER JACARÉ.  O superavit da Previ tem todo o jeito de superavit., pois tem estrutura e forma de superavit.
Portanto, prezados colegas, participantes, assistidos e pensionistas da Previ, acreditem o superavit existe, eu estava lá, eu vi ele nascer.  Agora, desejo advertir uma coisa, ele cresceu demasiado, despertou cobiça e desejos, assédios de todo lado, inclusive do patrocinador e do governo, e, infelizmente, é de natureza instável e volúvel, baseado fundamentalmente em renda variável. Pode sumir de repente, ou num crack da bolsa, ou numa nova crise internacional, e a gente , então, vai ficar só se lamentando, lembrando de como podíamos ter sido felizes se tivéssemos desfrutado dele.
Por isso, vamos negociar com inteligência e lucidez, com objetividade e sem intransigências, ressalvando os nossos direitos adquiridos.  DELENDA CARTHAGO !  SUPERAVIT JÁ !

15 comentários:

Ari disse...

Caro Medeiros,

Com a finalidade de se resguardar das instabilidades constantes dos mercados mundiais, não seria de bom alvitre que se apartasse a cada exercício findo, os valores obtidos contabilmente de superávit e aplicados, por exemplo, em títulos da dívida pública, até que se lhe desse destinação final?
A meu ver, neste caso, estaríamos livres de eventuais oscilações, tendo certeza dos valores a negociar.
Sobre a existência do superávit eu o deduzo pela lógica: se você tem um valor X (bilhões) aplicados em renda variável, num pool de empresas sólidas, estando as bolsas, embora com oscilações diárias, mas com resultado positivo ao final do exercício, é óbvio e ululante que gera lucro.

Ari Zanella - Joinville-SC

Anônimo disse...

Caro Medeiros.

Como estamos as vesperas de mais uma reunião esta agora com a Previc,será necessário um entendimento entre as associações,o que leca a crer que neste momento elas as associações estão divergindo mais que o proprio patrocinador.

Não seria esta a melhor hora para propor alguma coisa como a Valia fez,e colocar um ponto final nesta discusão?.

MEDEIROS disse...

Acho que é uma boa idéia. Os investidores tradicionais da bolsa fazem isso. Já existe na Previ uma coisa parecida, por força de lei, que é a reserva de contingencia. A reserva especial só sai depois que são apartados recursos para a reserva de contingência. Obrigado pela participação, Ari. Essa turma aí de Joinville é muito atuante, A PARTIR DO MEU AMIGO VALENTIM, de quem sou admirador.

Anônimo disse...

Medeiros.

Em 2006 quando fizeram milionarios da noite para o dia,eles esses mesmos negociadores de hoje.
Eu pergunto não estaria vindo um renda certa 2.
Haja vista e esta provado que as nossas associações atraves da Federação não tem voz e nem peso nessas negociações,as propostas alavancadas na reunião do dia 18 de outubro,não são de outoria dela a Federação e sim da Contraf Cut e Anabb.
A Contraf Cut apoia iniciativas do pessoal da ativa,e a Anabb apoia o Patrocinador até por força dos seus estatutos e regulamentos.
Como fica os aposentados e as pensionistas nestas negociações já que esta comprovado que eles não tem voz ativa nestas negociações.
Grato
Armando Patricio.

Anônimo disse...

Medeiros.

Não havendo pros e contras por parte da Previc,e creio que eles certamente vão omologar o que esta no entendimento da CGPC26.

Temos condições de receber alguma coisa ainda em 2010?haja vista os caminhos a ser percorridos,DEST,PREVIC E MINISTÉRIO DA FAZENDA E CONSELHO DELIBERATIVO DA PREVI.
Medeiros não seria alimentar falsas esperanças para pessoas completamente alijadas pelo desespero de suas finanças.
Cordialmente
Armando

MEDEIROS disse...

Acho que está vindo uma proposta parecida com a VALIA com mais alguma coisa, talvez uma revisão do renda certa para que todos sejam beneficiados.
Acho que os aposentados e pensionistas tem que fazer a sua parte e lutar por seus direitos e interesses. Com esse espírito eu decidi fazer esse blog a partir de 1 de setembro e vou incomodar e opinar até que saia o bendito superavit DELENDA CARTHAGO, SUPERAVIT JÁ.

MEDEIROS disse...

Sempre pode vir alguma coisa antes em forma de adiantamento ou abono. Depende das negociações e dos negociadores, porque, realmene, o caminho para homologação é longo e tortuoso. Mas por causa disso o meu primeiro artigo sobre mitos e verdades do superavit defendeu a necessidade dele para muitos colegas.

Anônimo disse...

Meu Caro Medeiros,
Caso possível uma resposta a uma questão que me implica. A Previ vendo que poderia dar aumentos exagerados a seus aposentados de uma hora para outra, sem consultar ninguém mudou seu índice de IGP-DI para o famigerado INPC, fazendo com que conseqüentemente seus superávit aumentasse. Sabemos também que encontrado-se outro índice chegaria a uma remuneração mais justa.E aí vai a indagação porque não se encontrar uma fórmula, sem a justificativa absurda de superávit, encontrar uma maneira de se corrigir os benefícios da Previ?.Observe que cada setor encontra sua fórmula para nos prejudicar é só observar os aumentos da Cassi onde usa aumentos e diz que é ajuste e por aí vai, nesta até a Anabb usou para elevar suas contribuições.Sinceramente é muito duro verificarmos a observar aumento dado a classe e deixar seus assistido de lado a mendigarem EM,EI e por aí vai.
Saudações
Maria do Socorro

Anônimo disse...

Doutor Medeiros.
Gostaria que você pedisse um pronunciamento oficial da Diretoria da PREVI sobre a postura da entidade no que concerne à elevação do percentual em renda variável de 50% para 70% e da aplicação de recursos no exterior.
Nossos analistas já devem ter uma posição tomada, principalmente no que concerne ao aumento das aplicações em renda variável no mercado interno.
Acho que o assunto tem que ser debatido com os associados/assistidos, sopesados os argumentos favoráveis e desfavoráveis.
Como parte da AFA-RS pode e deve zelar por nosso patrimônio,e termino lhe parabenizando por mais este Brilhante Canal de Comunicação entre Aposentados e Pensionistas.
Deus olhe suas grandes virtudes e iniciativas,esta fazendo um bem danado pela imparcialidade que trata os assuntos aqui debatidos.
Continue assim.
Atenciosamente
Amadeu Tamandaré

MEDEIROS disse...

Muito bem colocado Maria do Socorro. A Previ já podia ter mudado de índice há muito tempo. Só não mudou porque o Sergio Rosa certamente não quiz e isso foi um legado muito ruim que ele deixou, que está sendo perpetuado pelo Sasseron. Outra providência que a diretoria podia ter tomado é dar reajuste superior ao oficial, IGPM, sob a justificaativa do superavit.

MEDEIROS disse...

Obrigado pelo incentivo Amadeu Tamandaré. Esse debate terá que sair. Faz tempo que não se realizam seminários abertos sobre a PREVI ou CaSSI. Vou propor à diretoria da AFABB - RS.

Gonçalves - Pelotas disse...

Medeiros,

Ante essa informação da Isa (abaxo) será prudente uma distribuição de 20% - por exemplo - por vários anos? Vc não acha que seria mais pé no chão sair apenas um 14º salário para todos e não se correr o risco de logo alí surgir um deficit?

Informaação da ISA
A Resolução exige
> também que se acerte o desenquadramento e com isso sobra cerca de 17
> bilhões para a Reserva Para Revisão do Plano, e em 31.08.2010, esse vlr
> havia caído para cerca de 13.200. Se o BB levar a metade (de acordo com a
> Resolução) sobra para nós 6.600.

Outra coisa: É a Provisão para futuro pagamento aos atuais ativos, como quer a Contraf-Cut sairá, também, caso liberem superávit?

MEDEIROS disse...

Acho que temos que sair bem da negociação. Tenho a minha fórmula mas não divulgo ainda. Quero antes ver qual a do Banco. Esse valor de agosto já está ultrapassado, Em setembro o superavit recuperou seu patamar de dezembro de 2009, segundo meus cálculos. Estarei equivocado ?

Anônimo disse...

Caro Medeiros,

Algo me diz q foi por nâo concordar c/ o valor de 13,5 bilhões q o Banco pediu nova reunião, agora c/ a Previc. Isso pode até ser bom pra gente, já q a Previ pode se ver obrigada a rever este valor, certo?

Anônimo disse...

Caro Medeiros,

O "x" da questão e, como profissional experiente que és, sabes que sempre tem um "x" em tudo, é qual o limite máximo que nossos representantes à mesa de negociação terão para ceder ao BB. Sempre é dito que uma boa negociação é aquela que satisfaz ambos os lados. Na prática todo mundo sabe que não é bem assim. A boa negociação é aquela onde as perdas, e não os ganhos, são menores possíveis.

Pelo que tem se observado até agora o BB joga pesado (usando a necessidade da maioria dos participantes aposentados e pensionistas) e espera obter mais do que os 50%. Você acha que dá para aceitar em uma negociação com o BB uma perda acima de 50%? Eu não concordo e acho que a Isa (nossa representante) também não aceitará.